Dúvidas sobre uso dos Indicadores

Assisti toda a Série Como Investir em Ações em 10 Videoaulas. Ao final surgiu algumas dúvidas. Assim pergunto:

Questão 1) Os indicadores financeiros Dívida Líquida / Resultado Operacional equivale (é igual) ao indicador Dívida Líquida / EBITDA. E, poderia ser mais criterioso na análise adotando um fator de corte de 2,5 e não de 3,0 como indicou no vídeo?

Questão 2) Seria possível fazer um método combinado dos indicadores de Décio Bazin com os de Joel Greenblatt usando os seguintes indicadores fundamentalistas:

Filtros Iniciais: P/L >0 e Liq. 2 meses > R$ 200mil

Método Décio Bazin Turbinado: DY >6%, ROE > 15%, Dív. Brut. / Patrim. <1 e Div. Liq. / EBITDA <3

Método Joel Greenblatt: EV/EBIT, ROIC, Ranking EV/EBIT, Ranking ROIC e Soma dos Rankings

Questão 3) No método de Joel Greenblatt exclusivamente para seleção das ações do setor financeiro é que devo usar o ROIC e EV/EBITDA ou o EV/EBIT? E poderia usar estes indicadores para a escolha de ações de qualquer setor?

Questão 4) Em relação a estratégia de Benjamin Graham você tem disponível algum texto ou elaborou um vídeo explicativo a respeito? E poderia ser utilizado como primeira seleção das melhores ações o método de Décio Bazin e/ou de Joel Greenblatt e após usar a estratégia de Graham para identificar aquelas ações com margem de segurança acima de 20% para investir?

No mais, parabenizo pelos excelentes conteúdos disponibilizados. Para mim é um dos melhores e mais confiáveis que existe dos materiais da internet.

Abs.

Alcides

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Qual série é essa?

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Não conheço a série, então não posso falar por ela ou por seu criador, mas se permite uma opinião:

  1. Dívida Líquida/Resultado Operacional é o mesmo que a Dívida Líquida/EBIT e não equivale ao mesmo que a Dívida Líquida/EBITDA, justamente por excluir o componente da Depreciação e Amortização. Em relação a utilização de critérios, este limite de Dívida Líquida/EBITDA máximo de 3,0x é uma covenant (condição ou gatilho) muito utilizado pelos bancos para limitar o endividamento de seus devedores. Mas neste caso, como investidor, você vai se preocupar não só com o quanto a empresa deve, mas também quais são os juros, pois aí mora o segredo e o perigo da boa alavancagem (capital de terceiros + barato que capital próprio). Você pode calcular o custo da dívida dividindo Despesa Financeira/Dívida Bruta, ou (já digo que não é o ideal), Resultado Financeiro/Dívida Líquida.

  2. A meu ver, estes métodos e também a fórmula do Graham que é conhecida, são boas peneiras que podem ajudar a separar o material bruto. Então você não só pode combiná-los, como inventar outros e por aí vai. Mas é sempre importante passar o pente fino depois, o resultado destes filtros é matéria bruta.

  3. No setor financeiro o único capital investido é o dos sócios, então o ROE é o indicador de rentabilidade do acionista, caso queira medir a rentabilidade da empresa como captadora/aplicadora de recursos, use o ROA.

  4. Graham deixou dois livros importantes: O Investidor Inteligente e o Security Analysis. Acho que seria impossível resumir isso aqui, então indico a leitura. Acho a fórmula de pouca relevância, prefiro o PSBe Tag se é para ser rápido. Sobre a estratégia dele, como um todo, consiste principalmente entre comparações de empresas análogas e momentos históricos diferentes.

Espero ter ajudado.
Abs

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Questão 1) eu considero entre 1,5 a 2,0. Mais do que isso já não vejo como bom sinal. 3,0 é limite máximo que o mercado adota. Então, use um menor. Lembrando que endividamento na maioria das vezes não é bom para o acionista, pois é dinheiro da empresa/acionista que vai para os bancos e quanto maior o endividamento, mais a empresa estará sujeita às exigências dos bancos (dívidas são algemas e orçamento equilibrado é a chave).

Questão 2) não tem nenhum problema você combinar os indicadores como citado. A questão é que deve entender muito bem cada um deles e, principalmente, eles em conjunto (sinergia). Um cuidado que você deve ter é não focar demais no planejamento/processo ao invés da qualidade da seleção dos seus investimentos e a ligação com seus objetivos.

DÍVIDA BRUTA/PL geralmente indicam como limite até 50% ( < 0,5).
DY é bom usar sobre o valor que você paga na ação (Dividend On Cost).

Questão 3) ROIC, ROE e ROA mede o potencial de retorno financeiro da empresa ao acionista. ROE é o principal, pois refere-se ao PL (capital do acionista). ROIC é para empresas que possuem algum endividamento (estão usando capital do acionista + terceiros). ROA é ideal para empresas que tem muito ativo (por exemplos, empresas de capital intensivo). Você pode usar os três para avaliar uma empresa. Mas o que deve observar é o seguinte: ROE sempre maior que ROIC e ROA, pois isso indica que a empresa está usando capital de terceiros + ativos da empresa e gerando um retorno maior para acionista. ROE menor que o ROIC, então a empresa está destruindo valor para o acionista.

Já outros dois indicadores seria somente para complementação da sua análise.

Procure não confundir os indicadores, pois no ROE você está avaliando o potencial de retorno de uma empresa (análise interna). Já nos outros dois está analisando como o mercado está precificando essa empresa (análise externa).

Questão 4) A margem de segurança do Graham praticamente não se aplica mais nos dias atuais na forma como ele ensina pelos seguintes motivos: a) na época dele as empresas eram avaliadas pelo seu passado, ou seja, potencial contábil. Tanto que os cálculos dele são contábeis; b) nos dias atuais o mercado já precifica o passado e embute um ágio pelo futuro (passaram a cobrar no preco as perspectivas futuras da empresa+ gestão + marca + poder mercado etc (vide Weg, Ambev, Microsoft etc). Lógico que há ineficiência dos preços no mercado (penso que a ineficiência do mercado se fez aumentar e a tendência é piorar, devido o ritmo de negociação e especulação no mundo atual).

Então, em relação a margem de segurança você terá que analisar as que lhe interessam e que estão de acordo com os seus objetivos, por exemplo:
A) Contábil - valor da ação versus patrimônio (lembrando que existem empresas com grande patrimônio intangível) - Método Graham;
B) Valor - potencial de valorização da empresa (hoje o Buffet olha muito isso em uma empresa - influência do Charles Munger). Seria o poder de geração de caixa da empresa;
C) Gestão/Governança - se pretende levar para o longo prazo essa é uma das mais importantes;
D) Momento - em certas épocas ocorrem de ações estarem muito descontadas (vide Janeiro/2016 e em 2008);
E) Temporal - quando se investe em empresas excelentes e se leva para o longo prazo a tendência é a valorização (isso pode levar um tempo), então acaba que se cria uma margem se segurança (veja gráficos de 10 e 15 anos de empresas excelentes e momentos de pico);
F) P/L - o tradicional e muito usado. O que você deve saber sobre esse indicador é que quando ele está baixo demais ou alto demais deve-se fazer um estudo mais apurado e aprofundado para não pagar caro demais e também não ver suas ações desvalorizarem.

Peter Lynch:
Empresas maravilhosas se tornam investimentos muito arriscados quando se paga caro demais pelas ações.
Uma ação pode estar barata e ficar mais barata e mais barata e mais barata…

Por fim, veja que a margem de segurança de Graham nos dias atuais envolve várias perspectivas (eu citei somente algumas é você pode ampliar o leque para ter uma compreensão melhor do investimento, pois vai depender muito da empresa em que está investindo e seu objetivo como investidor).

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