LLIS3 - LE LIS BLANC

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Estava estudando esses dias essa empresa. Sempre me intrigou a desproporção entre o valor (agora 850MM) de mercado e seu PL (2,2 BI). Me parecia uma ótima oportunidade!
Porém, descobri que desses 2,2 BI do PL, boa parte é intangível, ou seja, difícil mensurar o valor (para mim, é muito abaixo do apontado):

Marcas e patentes: R$ 134MM
Custo de aquisição das marcas Bo.Bô, John John, Rosa Chá, Dudalina e Motor Oil (até aqui, ok)

Ágio por rentabilidade futura: R$ 1,6 BI
O montante de R$ 1.621.773 é composto por R$ 1.603.957 referente à operação de combinação de negócios ocorrida em 2014, decorrente da aquisição da Dudalina S.A
(essa é a parte mais absurda - quem mensurou esse valor???)

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Não olhei o balanço, mas imagino tratar-se tão somente de goodwill.

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Exatamente. Muitos analistas apenas olham os indicadores para julgar os papeis. Por isso, uma análise do balanço é fundamental para entender a realidade da empresa.

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Ágio costumava ser amortizado, mas agora em geral vejo que há somente o impairment. Muitos indicadores foram para o saco se tentar automatizar. Segue uma lista de empresas com intangíveis a serem repensados:

(% do Ativo Total)

Alper - 73%
Cogna - 62%
Fleury - 58%
Qualicorp - 53%
BR Brokers - 50%
Hypera - 45%
Le Lis Branc - 45%
Odontoprev - 43%
Ambev - 41%
Alliar - 39%

E por tamanho:

Ambev S/A - 41 bi
Telef Brasil - 41 bi
Vale - 34 bi
Sabesp - 31 bi
JBS - 30 bi
B3 - 26 bi
Cogna - 20 bi
Suzano - 17 bi
CCR - 17 bi

Não vi caso a caso, então precisa ser ponderado se são intangíveis de produção ou apenas goodwill. Mas goodwill num eventual caso de liquidação tem valor zero.

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Olhem o valuation da BB Investimentos para a LLIS3: R$43,70, com upside de 137,37%.

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Até o momento, a empresa nao vem acertando: pagou caro pelas marcas, vende menos, queima caixa e agora irá tentar recuperar dinheiro via subscrição (pela cotação atual, terá baixa adesão). Porém, a estratégia atual me parece correta olhando LP: estão defendendo a marca, redizindo promoções e inibindo a venda online via outros parceiros (problema comum de vário varejistas, que normalmente preferem se imitir). Case interessante para se acompanhar (no meu caso, de forma distante no momento).

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Uma das poucas do setor que não aproveitou do Bull de 2019. Esta aqui uma oportunidade ? Vejo que tem marcas muito bem posicionadas. Alguem poderia trazer mais informações ?

Empresa em momento bem complicado. Parece muito barata olhando para seu PL, porém boa parte é apenas intangível (capacidade de determinado negócio gerar valor futuro). Explicando melhor: pagaram muito caro pela Dudalina, com suposto potencial da empresa gerar muito mais retorno do que os ativos obtidos na aquisição. Ou seja, esse desconto em relação ao valor patrimonial é, no mínimo, contestável.

Sobre o momento atual: a empresa resolveu fortalecer sua marca reduzindo descontos e apostando no Online. Resultado: queda de vendas e aumento de dívida. Particularmente, acho importante cuidar bem da marca, mas a estratégia não me parece muito sólida: tenho visto constantemente a placa de liquidação nas lojas das marcas (Dudalina, Le Lis Blanc, Bobô, etc).

Enfim, boas marcas, suposto desconto em relação ao PL, alta dívida, estratégia duvidosa. Porém, uma das maiores redes de alta renda disponíveis na bolsa brasileira, que poderá evoluir com o crescimento econômico.

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minha percepção é que o setor de varejo (roupas) só vai prosperar aquele que focar em roupas populares

Esta empresa nunca me chamou atenção por causa do valuation.

A Restoque (LLIS3), dona das marcas Le Lis Blanc, Dudalina e Rosa Chá, fechou um acordo de recuperação extrajudicial com bancos e outras instituições do setor financeiro.

O que acharam disto?

"…
O plano propõe a troca das dívidas por novas debêntures, não conversíveis em ações, emitidas em duas séries. Cada credor deverá optar por uma das séries, que oferecem condições distintas de prazos, remuneração e vencimento. Os papéis da série A pagarão 100% do CDI, mais taxa de 2,70% ao ano. Os juros serão pagos trimestralmente, com carência de 12 meses.

O vencimento desses papéis será em 30 de junho de 2025. No total, o plano propõe a emissão de até R$ 606,5 milhões pela série A. O valor do principal (isto é, da dívida em si) será amortizado em nove parcela. A nona parcela não deverá ser superior a 62% da dívida.

Já a série B pagará 100% do CDI, mais 2,90% de taxa ao ano. Os juros também serão pagos trimestralmente, com carência de 12 meses. O valor do principal também será amortizado em nove parcelas. A diferença é que, na nona parcela, o desembolso não deverá ser superior a 78% da dívida.
…"

Não via ela como uma candidata eminente de recuperação porque, apesar de boa parte da dívida dela ser de curto prazo, ela tinha um caixa considerável. Achei que a Restoque se aproveitou da crise atual para conseguir melhores condições de pagamento para as dívidas atuais…

Não acho uma empresa ruim. Teve uma reestruturação necessária ano passado. Parecia iniciar uma retomada, mas COVID a pegou em cheio. Com essa nova dívida ainda mais cara, ficará em situação complicada por um bom tempo. Particularmente, entendo que tenham opções melhores na bolsa, com upside parecido e risco menor.