Setorial - Energia Elétrica

Comparativo das principais empresas do setor de Energia Elétrica:

Usei Lucro Líquido Recorrente e/ou Ajustado sempre que possível ou quando achei mais apropriado e justo.

Usei informações direto das Demonstrações Financeiras/Contábeis das empresas ou do Release.

Maior Preço = quanto ganharia caso a ação voltasse para a máxima dos anos 2020-2022.

Menor Preço = quanto perderia caso a ação voltasse para a mínima dos anos 2020-2022.

Algumas observações:

1 - Várias empresas estão mudando sua forma de atuação, então minhas observações podem não condizer com a realidade atual da empresa e/ou projeções de situações futuras podem ser alteradas pela própria empresa.

2 - Empresas que passaram por reorganização societária como Auren (antiga Cesp), AES Brasil e Omega Energia me deram muito trabalho para usar as informações mais corretas, espero que minhas conclusões estejam corretas…

3 - O P/L da MEGA3 está em vermelho pra identificar que usei o lucro contábil citado no Release da empresa, mas a Omega Energia na verdade teve prejuízo recorrente em 2021 de cerca de 56 milhões.

4 - Busquei citar os percentuais de geração e transmissão de energia por terem melhores margens e agregarem mais valor ao negócio da empresa; já distribuição e comercialização apresentam margens bem inferiores.

5 - Para chegar nos preços mínimos e máximos da AURE3 e MEGA3 eu usei os fatores de conversão e, então, calculei os valores que seriam correspondentes.

6 - Distribuidoras por Estado:

A) Região Norte

  • Amazonas: Amazonas Energia (sem ações na bolsa);
  • Roraima: Roraima Energia (sem ações na bolsa);
  • Acre: Energisa;
  • Rondônia: Energisa;
  • Amapá: Equatorial;
  • Pará: Equatorial;
  • Tocantins: Energisa.

B) Região Nordeste

  • Maranhão: Equatorial;
  • Piauí: Equatorial;
  • Ceará: Coelce (é controlada pela ENEL, que é enorme mas não tem ações na B³);
  • Rio Grande do Norte: Neoenergia;
  • Paraíba: Energisa;
  • Pernambuco: Neoenergia;
  • Alagoas: Equatorial;
  • Sergipe: Energisa;
  • Bahia: Neoenergia.

C) Região Centro-Oeste

  • Goiás: Enel;
  • Distrito Federal: Neoenergia;
  • Mato Grosso: Energisa;
  • Mato Grosso do Sul: Energisa.

D) Região Sudeste

  • Minas Gerais: Cemig (maior parte) e Energisa;
  • Espírito Santo: EDP Brasil;
  • Rio de Janeiro: Light (maior parte), Enel e Energisa;
  • São Paulo: Enel (capital), EDP Brasil, CPFL, Neoenergia e Energisa.

Segue o link para o mapa da distribuição em SP: Erro

E) Região Sul

  • Paraná: Copel e Energisa;
  • Santa Catarina: Celesc;
  • Rio Grande do Sul: Equatorial (litoral e indo até a parte mais central do Sul do Estado) e CPFL (maior parte do interior do Estado).

Sobre as empresas:

ELETROBRÁS: cerca de 60% é Geração e 40% é Transmissão em relação à Receita. Tem participações em várias outras empresas do setor. A maior parte da geração é hídrica. Montante muito alto em processos judiciais não provisionados. É estatal com grande possibilidade de privatização.

CEMIG: atua na Distribuição, Geração e Transmissão; tem presença em 10 Estados, tem a Gasmig e participação na Taesa. Em 2021, a Geração representou 8% da RL, 24% do EBITDA e 37% do LL, enquanto a Transmissão representou 3% da RL, 13% do EBITDA e 11% do LL; a maior parte do restante veio da Distribuição e/ou Comercialização. A maior parte da geração é hídrica. Alavancagem baixa para o setor. É estatal.

COPEL: atua na Distribuição, Geração e Transmissão; tem presença em 10 Estados, tem vários projetos, inclusive em gás natural e fez desinvestimento no setor de Telecom. Em 2021, Geração-Transmissão representaram juntas 31,5% da RL, 62% do EBITDA e 65% do LL; a maior parte do restante veio da Distribuição e/ou Comercialização. A maior parte da geração é hídrica (80%). Payout de 65% enquanto a alavancagem estiver inferior a 1,5 (Div.Liq/EBITDA). É estatal.

LIGHT: atua na Distribuição e Geração. Em 2021, a Geração representou 6% da RL, 29% do EBITDA e 26% do LL; a maior parte do restante veio da Distribuição e/ou Comercialização. A maior parte da geração é hídrica. Tem problemas operacionais recorrentes com perda/furto de energia, apesar de ter alguma melhora recente. Alavancagem muito alta. Montante muito alto em processos judiciais não provisionados. É uma empresa de capital pulverizado.

COELCE: atua 100% em Distribuição e concentrada no Ceará. Alavancagem bem alta. Montante muito alto em processos judiciais não provisionados. É controlada pela Enel.

CELESC: atua na Distribuição e Geração; tem pequena participação em gás natural e na empresa de Saneamento de Santa Catarina. Em 2021, a Geração representou 2,3% da RL, 22% do EBITDA e 29% do LL; a maior parte do restante veio da Distribuição e/ou Comercialização. A maior parte da geração é hídrica. Alavancagem baixa para o setor. É estatal, mas a EDP Brasil tem 30% das ações da empresa.

CPFL ENERGIA: atua na Distribuição, Geração e Transmissão (a partir de 2022 deve ser relevante com a aquisição da CEEE-T); tem forte presença em 2 Estados bem importantes como SP e RS. Em 2021, a Geração representou 10% da RL, 36% do EBITDA e 45% do LL; a maior parte do restante veio da Distribuição e/ou Comercialização. Cerca de 60% da geração é hídrica. Payout de 50%. É controlada pela State Grid (empresa chinesa e a maior do setor no mundo).

EQUATORIAL: atua na Distribuição, Geração (em 2022 deve crescer com a aquisição da Echoenergia) e Transmissão; tem presença nos Estados do RS (aquisição da CEEE-D), PA, AP, MA, PI e AL; tem investimentos em Saneamento, passando a operar no Estado do Amapá. Em 2021, a Transmissão representou 7% da RL, 16% do EBITDA e 5% do LL; a maior parte do restante veio da Distribuição, que é a parte principal da empresa ainda. Baixo payout para o setor. É uma empresa de capital pulverizado.

NEOENERGIA: atua na Distribuição, Geração e Transmissão; tem presença nos Estados de SP, BA, PE, RN e no DF. Em 2021, a Geração Renovável representou 3% da RL, 8% do EBITDA e 9% do LL, enquanto a Transmissão representou 9% da RL, 14% do EBITDA e 19% do LL, mas a empresa ainda tem geração térmica que em 2021 representou 3,5% da RL, 6,5% do EBITDA e 11% do LL; a maior parte do restante veio da Distribuição e/ou Comercialização. Cerca de 64% da geração renovável é hídrica, 33% é eólica e 3% é solar. Baixo payout para o setor. É controlada pela Iberdrola.

ENERGISA: atua na Distribuição, Geração e Transmissão; tem presença em 11 Estados (AM, AC, TO, MT, MS, PB, SE, MG, SP, RJ e PR), e vem investindo e fazendo aquisições no segmento de Transmissão, devendo mais que dobrar sua RAP. Em 2021, a Geração representou 0,3% da RL, 0,4% do EBITDA e 0,1% do LL, enquanto a Transmissão representou 3,5% da RL, 6% do EBITDA e 8% do LL; ou seja, é praticamente uma Distribuidora pura. Payout mínimo de 35%. Empresa nacional de capital privado com histórico desde 1905.

EDP BRASIL: atua na Distribuição, Geração e Transmissão; tem presença nos Estados de SP e ES, além de ter 30% da Celesc. Está realizando alguns desinvestimento em Transmissão e investindo em Geração Solar, com iniciativas de geração distribuída. Em 2021, a Geração Renovável representou 7% da RL, 25% do EBITDA e 18% do LL, enquanto a Transmissão representou 8% da RL, 15% do EBITDA e 19% do LL, mas a empresa ainda tem geração térmica que em 2021 representou 11% da RL, 12% do EBITDA e 13% do LL; a maior parte do restante veio da Distribuição e/ou Comercialização. A maior parte da geração é hídrica. Payout mínimo de R$ 1,00 ao ano. É controlada pela EDP.

ENGIE: atua em Geração e Transmissão; vem investindo na cadeia de gás (TAG, foi 8% do EBITDA em 2021) e buscando aumentar sua exposição em geração solar e eólica. Em 2021, a Geração representou 68% da RL e 88% do EBITDA, enquanto a Transmissão representou 23% da RL e 4% do EBITDA. 81% da geração atual é hídrica. Payout de 55%.

ENEVA: atua em Produção de Gás (upstream), Geração a Gás e a Carvão; vem buscando aumentar sua exposição em geração solar, efetivando a compra da Focus Energia (POWE3), um dos maiores projetos do país em energia solar. Sem exposições aos riscos hídricos, por operar termoelétricas, sendo atualmente quase que 100% exposta a energia não renovável. A geração a gás é integrada com a produção. Ainda tem cerca de 400 milhões em prejuízos acumulados, que devem ser zerados este ano, mas dada a necessidade de investimento, não acredito num payout superior aos 25% (mínimo) no médio prazo. O BTG tem posição na empresa e já demonstrou vontade de vender suas ações.

AUREN (antiga CESP): 100% Geradora. Geração atual: 79% hídrica e 21% eólica; Geração futura: 45% hídrica, 19% eólica e 36% solar. Assim, vai expandir em cerca de 58% a sua capacidade instalada, sendo que 92% será em energia solar. 100% da sua geração é renovável. Após a reorganização societária se tornou uma grande comercializadora e a ter boa exposição a energia eólica. Montante muito alto em processos judiciais não provisionados.

OMEGA ENERGIA: 100% Geradora. Geração atual: 5% hídrica, 6% solar e 89% eólica; Geração futura: 1,3% hídrica, 52,4% solar e 46,3% eólica. Vai expandir a sua capacidade instalada de 2 GW para mais de 8 GW! :open_mouth:, sendo que 4 GW será em energia solar e 2 GW em energia eólica. 100% da sua geração é renovável. Atualmente é muito exposta a alterações climáticas (La Niña) devido a concentração em energia eólica. Alavancagem muito alta para sustentar um crescimento agressivo. Montante muito alto em processos judiciais não provisionados, mas 90% se referem a processos de recuperação judicial.

AES BRASIL: 100% Geradora. Geração atual: 69% hídrica, 23% eólica e 8% solar; Geração futura: 45% hídrica, 44% eólica e 11% solar. Vai expandir a sua capacidade instalada de 3,8 GW para 6 GW, com grandes investimentos em energia eólica e solar. 100% da sua geração é renovável. Alavancagem alta.

ISA CTEEP: 100% Transmissora. Alto payout com excelentes dividendos. Sem muito o que falar, a não ser acompanhar a RAP, o vencimento dos contratos e os próximos leilões. Tem um valor relevante pendente a receber nos próximos anos que deve impulsionar ainda mais os ganhos com dividendos.

TAESA: 100% Transmissora. Alto payout com excelentes dividendos. Sem muito o que falar, a não ser acompanhar a RAP, o vencimento dos contratos e os próximos leilões.

ALUPAR: atua em Transmissão e Geração; tem pequenas participações também na Colômbia e no Peru. Em 2021, a Geração representou 15% da RL, 13% do EBITDA e 11,5% do LL; o restante veio da Transmissão. A maior parte da geração é hídrica. Baixo payout pro setor (25% em 2020 e cerca de 32% em 2021), mas com tendência de aumento a partir de 2023 para algo em torno de 50%. Necessário acompanhar a RAP, o vencimento dos contratos e os próximos leilões. É uma empresa nacional com capital 100% privado.

OBS: podemos ter algumas empresas anunciando dividendos nos próximos dias, aí o indicador dividend yield será alterado.

Fiquem à vontade para opinar, acrescentar informações que não coloquei e apontar eventuais erros… Espero ter ajudado!

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