MOVI3 - Movida Participacoes


#1

Pessoal, estou começando o acompanhamento dessa empresa e gostaria de compartilhar com vocês algumas conclusões e também aproveitar para colocá-las em validação.
Com o resultado do 4T17, um lucro liquido reportado de R$19,9 milhões e um lucro consolidado de 66 milhões em 2017, estranhei a forte desvalorização do papel da empresa. Esse fato me motivou a dar uma olhada mais afundo nos valores reportados pela empresa.

Sei que a empresa está com um endividamento alto, porém eu estava assumindo que esse financiamento seria para expansão da empresa. Agora tenho dúvida se o valor financiado está servindo apenas para expansão ou ajudando a maquiar a contabilidade e reportar lucros recorrentes.

Realizei uma análise sobre o custo de renovação da frota, deixando de lado a questão de expansão da frota e de “lucro” sobre a venda dos automóveis. A pergunta a ser respondida é: se a empresa mantivesse o número atual da frota, qual seria a despesa recorrente?

A primeira maneira que realizei esse estudo foi confrontar o valor gasto para adquirir o automóvel e o valor que ele é vendido após a utilização:
Vamos aos números:
(a) Preço médio do carro adquirido pela empresa: R$40.972
(b) Preço médio do carro vendido pela empresa: R$37.454
CAPEX por carro médio (Fixo) (a-b): R$3.473
Frota de carro no 4T17: 57.059
Caso a frota inteira seja renovada 1,25/ano, custo: R$198 milhões ou anual: 158,4 milhões ou 40 milhões trimestralmente

Uma segunda maneira foi considerar a depreciação apresentada nos gráficos da empresa e que estavam separados por segmento de atuação (RAC e GTF):

A empresa declara que a depreciação média em 12 meses por carro é de:
GTF: R$1.800 * 18.800 carros = R$33,84milhões
RCA: R$882 * 57.059 carros = R$ 50,37 milhões
R$ 84milhões/ano ou R$21 milhões/trimestre - ainda 30% acima do declarado pela empresa.

No balanço, a empresa considera uma depreciação de aproximadamente R$16 milhões por trimestre. A depreciação é uma informação contábil feita em regime de competência, portanto ela pode ser uma previsão. Esse valor não foi subtraído do caixa, mas foi “reservado” do resultado. O problema aqui é que, no meu entendimento, deveria ter sido reservado R$40 milhões, e não 16.
Considerando essa depreciação, em alguns trimestres a empresa teve prejuízo ou fechou quase no 0x0.

Conclusão: parece que a empresa está diminuindo a despesa com depreciação para inflar os resultados final (lucro liquido).
Só para constar, a empresa gastou R$1,56bi em renovação de frota e apenas R$ 0,5 bi em expansão.


#2

Muito bacana sua análise @motasistemas, e o seu pto levantado.

Acrescento aqui que ainda tem um terceiro segmento da empresa p/ adicionar na depreciação, o de seminovos. Em 2017, este teve uma depreciação de 6.1 milhões, ou 1.9 milhões no último trimestre.

Sendo assim, no 4T 17 ela declarou uma depreciação nos 3 segmentos: 10.5 + 7.3 + 1.9, total de 19.7 milhões no último trimestre. Ainda bem abaixo dos 40M que vc estimou no primeiro cenário, porém vai ao encontro do que a empresa divulgou, que foi a segunda maneira que vc calculou. Provavelmente a diferença do calculo no primeiro cenário está que vc só levou em conta a frota de carro no RAC, mas não colocou na conta os 18.801 carros da GTF, dando um total de 75.860 carros.

Mas o que me chama a atenção de cara são as margens bem inferiores a suas concorrentes. Isso fora a consolidação do setor, com a LCAM saindo na frente. Eu acho a MOVI a menos atrativa das outras empresas do setor: RENT > LCAM > MOVI.


#3

Eles dão um feedback sobre a recomendação deles sobre Movida


#4

Sim @cadu, existe também o segmento de semi-novos. Nesse segmento, eu gostaria de entender melhor o modelo de negócio e como ele poderia dar lucro, explico: entendo que a atividade de seminovos foi criada para dar um destino aos carros utilizados pela empresa no RAC. Portanto, se a empresa adquire o carro semi novo e repassa ao segmento de seminovos, como esse segmento vai conseguir ter lucro? Imagino que quando esse carro entra no segmento de semi-novos da empresa, seu valor já tenha sido descontado pela depreciação e em cima desse valor será feito o calculo de lucro ou prejuízo sobre a venda. Porém aqui existe uma fragilidade, já que a empresa pode declarar o valor que ela bem entender de desvalorização e repassar o lucro ou prejuízo entre os segmentos da empresa. Pegando o gancho com o video que o @giovani_pi postou, a Eleven atribuiu o mal resultado justamente para o segmento de seminovos da empresa. Sendo que no consolidado, os três segmentos são da mesma empresa e, no caso, o segmento de seminovos altamente dependente do fluxo de veículos e preço enviado pelo RAC e GTF.

Sobre o total de carros ser de 75.860, se colocarmos esse valor no calculo, o valor da diferença entre o custo de um carro 0/km e seu valor de venda (ou depreciação) dispara para R$263 milhões em 15 meses ou R$210 milhões/ano ou R$52 milhões/trimestre.
Acho que independente dos ajustes e cálculos contábeis, na prática existe uma depreciação de 8,5% na “vida” do automóvel alugado.

Realmente as margens da MOVIDA precisam melhorar, pois qualquer “dor de barriga” que aconteça pode causar um estrago grande.


#5

Eu vejo o segmento de venda dos seminovos como um modo de diminuir o prejuízo causado nos giros de carros. Pois não tem como vc comprar um carro, aumentar a kilometragem dele, e depois de um tempo revender pelo mesmo preço. A depreciação do carro acontece com muita intensidade nos primeiros anos, e depois esta curva se torna quase linear. E esta engrenagem de giro de carros usados é complexa, e sua atratividade está muito ligada a situação econômica do país.

Mas não concordo com o video justificando o resultado fraco por conta do segmento de vendas de seminovos. Este segmento ainda não tem uma grande representividade nos resultados.


#6

“Eu vejo o segmento de venda dos seminovos como um modo de diminuir o prejuízo causado nos giros de carros. Pois não tem como vc comprar um carro, aumentar a kilometragem dele, e depois de um tempo revender pelo mesmo preço.”

Sim, concordo plenamente! É um segmento para diminuir prejuízo e não gerar lucro.

“A depreciação do carro acontece com muita intensidade nos primeiros anos, e depois esta curva se torna quase linear.”

Nesse ponto não sei como no longo prazo a situação atual seria alterada, já que o giro dos veículos já acontece e eles são vendidos em média com 15 meses de uso (no caso do segmento RAC).

Muito bacana essa troca de ideias, faz com que a gente consiga refletir sobre diferentes pontos de vista! Obrigado @cadu


#7

Olá,

A venda de semi-novos a muito, na Localiza já é maior do que a renda com o aluguel.

Na verdade o grande negócio para uma locadora de veículos ser bem sucedida é ter escala, para comprar com significativos descontos a frota e conseguir financiar a aquisição a taxas muito baixas, para depois conseguir revendê-las.


#8

Ola @sellous!

Você sabe qual o modelo de negócios eles utilizam para conseguir esse lucro? Por comprarem por frota, o valor da aquisição 0/km é menor do que o valor de revenda?

A movida tem uma baita escala, eles adquirem uma média de 13 mil carros por trimestre…


#9

Estou no trabalho, mas em geral nos relatórios anuais eles costumam mostrar os valores.

A estratégia das grandes locadoras, para criarem uma vantagem competitiva é manter a frota sempre nova, para que diminuam despesas com manutenção do carro e sempre apresentem carros novos para os clientes. Para isso eles precisaram ganhar escala. A Localiza fez isso organicamente, e possui uma excelente gestão. A Movida usou o mercado de capitais e a JSL para ganhar escala. A margem ebit na revenda de carros é irrisória, mas existe. A Localiza, dependendo do momento, gera um pequeno lucro. O foco é não levar prejuízo ao girar a frota e tirar os carros com chance de problemas da mão. O faturamento com aluguel, apesar de cada vez menos, é onde está toda a margem.

O problema da Movida, por enquanto é fazer a venda dos seminovos compensar a troca da frota, o prejuízo vem da expansão das operações e, anteriormente, da gestão com perdas (ex: roubo). Mas o negócio é operacionalmente lucrativo.

A meu ver a Movida está barata. A maior questão é o risco. O mercado não quer pagar o risco e aguarda um gatilho para valorização. Mas a penalização que estão dando para a ação não faz nenhum sentido.