Macroeconomia

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O estado da Argentina, bicho. Ademais, eles não consideraram a Venezuela (pelo fato de estarem num caos econômico). De resto, impressionado com alguns países conseguindo manter números mais baixos, aparentemente.

Se considerassem teriam que usar grafico de log

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É o mesmo efeito de aumentar a Selic, na verdade. Foi uma medida desinflacionária. A história do auxílio veio a calhar. Dou um quote:

Criado pelo regime militar na ocasião da reforma tributária de 1966,3 o imposto sobre as operações financeiras (IOF) foi concebido como instrumento auxiliar das políticas monetária e cambial na perseguição dos objetivos macroeconômicos estabelecidos pelo governo federal. O financiamento dos gastos públicos não é sua função principal. Trata-se, então, de um imposto extrafiscal ou regulatório, em que a arrecadação tributária decorrente consiste apenas em um efeito secundário. O caráter regulatório do IOF está expresso no Código Tributário, Seção IV, Artigo 65: “O Poder Executivo pode, nas condições e nos limites estabelecidos em lei, alterar as alíquotas ou as bases de cálculo do imposto, a fim de ajustá-lo aos objetivos de política monetária”. Reforçava esse caráter o fato de que as receitas obtidas não compunham o Orçamento da União, mas eram direcionadas a um fundo denominado de “Reservas Monetárias” e eram usadas pelo Banco Central do Brasil (BCB) em intervenções nos mercados de câmbio e de títulos e no provimento de liquidez a instituições financeiras (BARBOSA, [201-?]; TORRES et al., 2003). Em 1981, contudo, o BCB perdeu sua exclusividade sobre as receitas do IOF. Nesse ano, metade da arrecadação do imposto passou a integrar o Fundo Nacional de Desenvolvimento (FND). No ano seguinte, o FND se apropriou da integralidade da receita do IOF. Finalmente, a partir da Constituição de 1988, o IOF deixou de ter uma destinação específica, passando a ser um recurso ordinário do Tesouro Nacional, ou seja, receita arrecadada sem vinculação que está à disposição do Tesouro para a execução do orçamento, conforme a alocação das despesas. Mesmo após essas mudanças, seu caráter regulatório foi mantido, expressando-se em uma participação na receita do Tesouro relativamente baixa e volátil, segundos os objetivos de política monetária e cambial.

Fouquet, vc defende esse aumento de carga tributária? alias queria ouvir a opinião do pessoal de direita aqui sobre esse assunto…

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Minha opinião, mas imagino que não seja a mais popular.

Como instrumento de política monetária, o IOF onera diretamente o tomador, por isso é uma ferramente mais rápida e eficaz do que a Selic, pois afeta o crédito direto na ponta. Neste caso creio que seja menos doloroso do que a necessidade exagerada de juros reais para conter a inflação, que é o que todas as projeções vinham apontando.

Pensando numa projeção, a solução unilateral dos juros oneraria uma dívida que deve fechar o ano acima de 80% do PIB, o resultado nominal disso seria uma conta bem maior para pagar, que, dentro das leis atuais, faríamos com aumento de arrecadação para conter o endividamento, ou flexibilizando o conceito, poderíamos imprimir moeda para despesas correntes (modelo Argentino). Não acho que estejamos falando de uma solução extrema, mas foi inteligente.

Acho que foi, sim, uma medida acertada conquanto temporária. Claramente, partiu da equipe econômica e o PR só aproveitou a brecha. Dito isso, concordo com o uso do IOF para esse fim de política monetária, com o objetivo de conter a inflação e acho que o momento exige. Também há o resultado de não onerar excessivamente o Estado neste momento, o que recairia sobre todos e de forma mais pesada no final.

Finalizando, o caminho para a redução da carga tributária será sempre conter os gastos públicos, coisa que infelizmente perco cada vez mais a fé. Se o governo aumenta ou diminui algum imposto aqui ou ali, sinceramente, sem haver mudança estrutural, vai ser sempre um toma lá da cá. Ainda temos o Teto que nos segura, felizmente.

Agora se se tornar fonte permanente para o financiamento do Auxílio, desvituaria o próprio conceito do IOF. Mas pelo que tenho acompanhado da política, isso deve vir da reforma tributária.

Mas se pensar dessa forma o correto seria aumentar o deposito compulsório realizado no dindin disponível nos bancos…

@adamsmith, vou transferir nossa conversa de tópico para não desvirtuar o assunto aqui.
Eu acho que sim, mas para ser sincero acredito que as medidas de liberação de liquidez do BC foram uma mão de uma via só. Muito do que foi feito não passou de aprimoramentos, considerando que tinhamos um sistema bastante engessado comparado a média mundial. Aliás, não é difícil achar o quadro delas:
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Tudo isso foi feito quando tínhamos a perspectiva de crescimento de 3,5% do PIB, baixa inflação, juros a 2%. O montanto envolvido nessa liberação de liquidez supera em várias vezes qualquer gasto do bolsa família. O BC realmente despejou dinheiro como se fosse concreto na economia. E como a história seguiu tem lá no site deles, é fácil de achar, aliás é um tema que acompanho, já que também invisto no setor bancário:

2016
O volume total de crédito do sistema financeiro alcançou R$3.107 bilhões em dezembro, […] redução de 3,5% no ano […]

2017
O saldo das operações de crédito do sistema financeiro alcançou R$3.086 bilhões em dezembro ([…] redução de 0,6% em doze meses).

2018
O saldo das operações de crédito do sistema financeiro nacional alcançou R$3,3 trilhões em dezembro de 2018. […] No ano, a carteira total cresceu 5,5%, revertendo as contrações dos dois anos anteriores (2017: -0,5%; 2016: -3,5%),

2019
O saldo das operações de crédito do sistema financeiro nacional […] somou R$3,5 trilhões […]. No ano, a carteira total cresceu 6,5% […]

2020
O saldo das operações de crédito do sistema financeiro nacional […] alcançou R$4 trilhões em 2020, crescimento de 15,5% […]

2021 (julho)
O saldo das operações de crédito do SFN alcançou R$4,3 trilhões em julho, elevação de 1,2% no mês, […] Em doze meses, o crescimento da carteira total de crédito manteve-se estável, de 16,3% em junho para 16,2%.

O crescimento no crédito neste período de 2020/2021 foi impressionante. Saímos de 3,5 trilhões para 4,3 trilhões em 1 ano e meio. 800 bilhões em 19 meses, dá uma média de 42 bilhões por mês (out of nothing).

Um ponto a se levar em conta é que o efeito dessa liquidez não elevou apenas a alocação dos bancos em crédito, poderíamos dizer que isso nem foi tão forte quanto poderia, devido a seletividade dos bancos. Mas isso também aumentou a competitividade e diminuiu os spreads. Tenho mínhas dúvidas o quanto os sucessivos aumentos da Selic não serão compensados por redução nas margens de operação. Mas política de juros é sempre de longo prazo e tem sua comprovação prática na história, então é o caminho a se seguir, mas acho que a história do bolsa família está turvando um pouco o tema, que foi a implementação do IOF como medida de contenção.

Finalizo com este gráfico que mostra a demora no aumento do ICC vs Selic. Neste cenário de maior competitividade, se você me perguntasse, entre compulsórios, aumentar demandas de capital etc, eu iria no IOF, pelo menos por um tempo.

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Se spread caiu foi principalmente em virtude do crédito direcionado (subsidiado - pronampe por exemplo l) do mesmo modo essa expansão do crédito se deve às mesmas linhas e em certo grau as novas instituições financeiras (fintech/nubank/meupag/mercadopago).

Agora o governo pretende continuar a expansão se utilizando da CEF em linhas de crédito para os informais e linhas específicas para militares, velha história de estimular PIB através do consumo, daí também boa parte da inflação absurda que estamos tendo.

Interpretação que faço da elevação do IOF é de cunho puramente arrecadatorio, a fim de viabilizar turbinarem o bolsa família. Falando em família, nível de endividamento delas está absurdamente alto
( https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2021-08/endividamento-das-familias-bate-novo-recorde-em-julho ) devemos ter sérios problemas em breve, elevação da inadimplência vai fazer o sistema financeiro ser mais seletivo e ou ocasionar aumento de spread. Sem falar na drástica redução de poder de compra da população (inflação somada a redução do crédito num segundo momento). Politicamente se bolsonaro está queimado, ano que vêm governo dele se queima ainda mais.

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O grande problema é que o tomador é um brasileiro sem controle ou planejamento que só vai perceber que a coisa desandou depois de começar a atrasar e abola de neve ter passado por cima dele… seja cartão de crédito, seja empréstimo bancário e etc… Se o brasileiro fizesse cálculo na maioria dos créditos nem entraria… muitos só se interessam no valor mensal da parcela…

O spread do crédito direcionado permaneceu o mesmo (3,5% em dez-19 e jul-21), a redução observada foi em recursos livres (de 23,0% para 18,6%). O próprio endividamento das famílias se deve em grande parte ao aporte expressivo em financiamento imobiliário, sem contar com este, teve um aumento proporcionalmente menor (de 30,1% para 36,5% considerando Maio). O preço dos imóveis voltou a reagir depois de anos:


A meu ver o BC está forçando a alocação de recursos pelos bancos, houve a retenção de dividendos que elevou o patrimônio de referência significativamente:
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Se considerar que o Basiléia ficou estável no período (de fato ficou), fica evidente para mim que é o excesso de liquidez que está forçando os spreads para baixo. De dez-19 a jul-21 os meios de pagamento saltaram mais de 30%. Isso ficou em linha com outros países, devido aos auxílios etc., mas a parte disso que não se refere a transferência direta, em sua maioria se deve ao próprio BC.

Fico mais otimista com o futuro do que vocês vendo esses dados, o grande risco a meu ver é que boa parte desse aporte em crédito se deu num cenário muito favorável que rapidamente se reverteu. Trazer isto de volta a normalidade é essencial para que o ciclo de crescimento não seja interrompido. Então por mais contraditório que pareça (acho que pouca gente concordaria), acredito que o IOF tenha sido uma medida benéfica no sentido de enxugar a liquidez, reduzir a inflação e sustentar um cenário mais propício para o crescimento. Como havia dito, a natureza do imposto não é fiscal, mas monetária; se está sendo feito uso político, não tenho dúvida, mas acho difícil a iniciativa partir daí (até porque precisaria mais QI para isso). Agora, independente disso, vai reduzir a inflação.

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Coincidentemente o Daneil comentou sobre o crédito no Brasil. É possível que ele acompanhe o fórum!

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Brazil: 2021 Article IV Consultation-Press Release; Staff Report; and Statement by the Executive Director for Brazil (imf.org)