No caso de empresas públicas, penso que a privatização é valida quando o objetivo é ganho de eficiência e qualidade (p. ex., o que ocorreu nas telecomunicações a partir da década de 90).
Agora se a tese principal é diminuir o desvio indevido de recursos por corrupção, hoje em dia, sou muito reticente em relação a isso.
No caso da Petrobrás, me parece que é uma empresa “inchada”, mas não posso dizer que seja ineficiente. Se deixarem os caras trabalharem, eles entregam um baita resultado.
O problema principal para mim é a fortíssima ingerência política, A privatização acabaria com essa ingerência ou diminuiria? Isso que me pergunto. Aí vem aquela pergunta que todos fazemos diariamente: qual o risco / retorno?
Enquanto a petrobrás for pública haverá ingerencia política por uma simples razão, políticos não fazem leis e atos para diminuir seus poderes só aumentar.
No mundo ideal meu desenho seria fatiar a petrobrás e em vez do estado dividir o lucro, o lucro da empresa seria tributado, convidando várias empresas ao mercado brasileiro… poderia até temporariamente a petrobrás continuar com alguma parte nao vendida…
A vantagem da tributação é, o Estado não assume riscos e ainda lucra com a atividade se ela der certo.
A Petrobrás tem um problema grande que é a compra de bens e serviços. Eu entendo licitação porque como ela é do governo tem que evitar ao máximo a possibilidade de desvios… mas licitação não é com certeza o meio mais eficiente de realizar aquisições…
Na prática não vejo essa diferença de corrupção pública/privada.
Tem um lado que oferece dinheiro em troca de uma vantagem indevida e outro que aceita. São faces da mesma moeda.
Não existe uma faceta melhor que a outra. Tudo a mesma miséria.
E óia, tudo isso que disse é em relação a PETR.
Sou a favor de um Estado mais enxuto e de privatização em várias outras estatais (p.ex.,. ELET).
Até mesmo em relação a PETR, não sou nenhum xiita, só não me convenci da tese até o momento.
Stricto sensu, qdo me refiro a corrupção, obrigatoriamente um dos lados envolve o setor público.
Por ex., Odebrecht pagava dinheiro em troca de contratos mais favoráveis.
JBS pagava propina para agentes políticos em troca de favorecimento.
As multas não pagaram o prejuízo causado.
Dirigentes da PETR também foram presos.
O maior prejuízo causado a PETR foram investimentos desastrosos por influência política. Mas essa ingerência também ocorreu por ex., com a gigante OIBR, que quase a levou à falência.
Petróleo é um setor extremamente sensível a pressão política, ainda não consegui me convencer que a simples privatização acabaria com isso.
Talvez um outro argumento, no sentido de um ganho de eficiência que compensasse os riscos inerentes a se desfazer de uma empresa dessa magnitude e de importância estratégica
Eu considero corrupção um fator importante e eficiência ainda mais. Ambos implicam em fazer o recurso público ser melhor aplicado.
Então tendo sempre a preferir que o recurso público não tome risco e isto fique a cargo do mercado.
Os EUA e outros tatnos são altamente preocupdos em políticas externas e ainda sim setores de energia são privados. É possível fazer um desenho muito bom com empresas privadas mesmo em areas consideradas estratégicas.
E atualmente tem um fator geopolítico que me preocupa mais.
Que consórcio privado nacional teria condições de comprar PETR? Seria com participação do BNDES? (Mas aí continuaria nas mãos do Estado que, mesmo indiretamente, poderia exercer pressão na administração).
Abre pra capital estrangeiro? Da onde? De que país?..